De utopia à distopia evangélica no poder

De utopia à distopia evangélica no poder


No lastro das decepções políticas até 2018, eis que os marqueteiros e profissionais políticos emplacaram estratégias de persuasão com slogans "chicletes" como: "Deus, pátria e família" e "João 8.32". O alvo era visível: a parcela evangélica da sociedade. Puxados pela Primeira Dama Michele Bolsonaro e por lideranças evangélicas com ampla capilaridade nacional como pastores, apóstolos, bispos e emissora de TV, logo palanques como Marcha para Jesus e púlpitos tornaram-se propagadores inusitados de uma ideologia direitista extremista fundamentalista religiosa que não consegue sequer perceber que o gesto de arminha empunhada não condiz em nada com a proposta do Evangelho de Cristo.



Daí, o oportunismo de apegar-se ao poder político como pretexto para transformação social pela imposição da fé e valores evangélicos e objeção ferrenha aos movimentos sociais depravados, deu lugar à osmose imoral e antiética de práticas e desvios políticos como: corrupção, propina, mentiras, e outros que macularam a imagem de todo um segmento evangélico espalhado pelo Brasil.

Lamentavelmente, esta representação evangélica imoral e antiética transparece ser a voz de todos os evangélicos, o que não é verdade! O oportunismo da proximidade com o poder revelou os interesses mais diabólicos e egoístas de certos líderes. Conseguem defender Milton Ribeiro e execrar publicamente André Mendonça. O primeiro envolvido no mais nojento esquema de desvios e tráfico de influência encabeçado também por outros pastores no MEC; o segundo, terrivelmente evangélico, agora terrivelmente atacado pelos que o colocaram lá, declara "como cristão, não creio tenha sido chamado para endossar comportamentos que incitam atos de violência contra pessoas determinadas". Isso lhe rendeu o macabro título de terrivelmente decepção. Ele nem bem começou e nem teve oportunidade de cometer outros erros para transformar-se em decepção.



O que vemos é um diabólico esquema envolvendo algumas lideranças evangélicas e alguns membros de igrejas que caíram no engodo do maligno e propalam, reverberam, potencializam mentiras e discrepâncias teológicas e bíblicas travestidas de simbolismos políticos. O resultado é um povo evangélico dividido e conduzido pelo coronelismo de alguns segmentos.

No intuito de defenderem a liberdade de expressão, evangélicos estão defendendo xingamentos, ataques pessoais, ameaças de morte, bravatas de violência, torturadores, golpes militares, AI-5. A condição crítica deu lugar à insensatez e esta gerou idolatria! No anseio de terem uma representação evangélica no Poder acreditam que o atual Presidente é o exemplo de defesa de princípios conservadores. Já não se faz cabo do ser humano e as pessoas querem hoje estar longe do Evangelho, longe de crentes e pastores e longe de igrejas. 



Assim, a utopia de se ter um Brasil aos pés de Cristo pela propagação do Evangelho transformou-se em distopia na usual mentira de cada dia e governo pela força e não pela persuasão. Os mais graves erros de corrupção ou de passar a boiada são como combustível que alimenta a fornalha da inquisição dos evangélicos por todos aqueles que divergem do seu Mito, do seu objeto de confiança cega. O fim não justifica os meios, e não é querendo afastar "esquerdistas" que se deve aceitar tudo de errado dos "direitistas". Que ninguém se condene naquilo que aprova!!

Com sua explicação, desnecessária por sinal, André Mendonça revela a insanidade instalada na mente e corações de seguidores de ídolos políticos de estimação. "Como cristão", disse ele - então, quem defende comportamentos que incitam atos de violência ou não é cristão ou está plenamente confuso! Mas isso não importa mais, pois todos os que confrontaram qualquer atitude de defesa das aberrações demoníacas instaladas na República passaram a ser considerados também traidores da pátria e esquerdistas comunistas.

Compatibilizar a Bíblia com a Constituição Federal será um desafio e tanto no STF e no desgoverno que se instalou! Deus tenha misericórdia de nós.

Pr. Geraldo Santos.










Categoria:Opinião

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